quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Arte e patrimônio histórico

Toda vez que trabalhamos na Educação a questão do patrimônio histórico devemos ter em mente os seguintes objetivos:
  • Desenvolver atitudes de preservação e animação do patrimônio. 
  • Conhecer o patrimônio da zona em que a escola está inserida. 
  • Incentivar o gosto pela descoberta. 
  • Compreender a história nacional a partir da história local. 
Entrar num museu onde aparece na grande coleção de obras de arte ou objetos é sempre muito gratificante, fazemos uma viagem no tempo e nos reportamos a um passado distante, longe de nós, quase como se não nos pertencesse e do qual não fazemos parte. Vamos do imaginário ao imaginário coletivo.

A  relação que o visitante estabelece com as coleções do museu terá de ser de fruição, sob pena de elas não serem armazenadas no arquivo da memória, de não serem imagens que façam parte do passa do desse indivíduo que um dia escolheu uma tarde ou uma manhã para visitar o museu.

A relação museu-escola deve começar na infância. A educação pela arte deve fazer parte da formação integral de um aluno: ela desenvolve a sua sensibilidade e desperta-o para tudo o que o rodeia, diversificando a sua cultura e aguçando a sua capacidade criativa. 

Jardim do Museu Paulista da Universidade de São Paulo, 2012.

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM), no Parque do Flamengo, RJ.

Em uma primeira fase da educação pela arte podem-se incluir: as visitas guiadas, os ateliês de expressão plástica, dramática e musical, o teatro de fantoches, as exposições subordinadas a temas e comemorações de datas e a leitura animada.

Os espetáculos musicais, teatrais e de bailado em espaços do museu, as animações teatrais em que a história do edifício e o seu espaço se interligam, os espetáculos nas escolas, juntas de freguesia e outras instituições que, em datas precisas, solicitam a nossa presença, são sempre muito úteis e interessantes.

O entendimento que fazemos do ato ensino/aprendizagem num museu é pouco escolarizável.

Acreditamos que se pode ensinar qualquer conteúdo a partir de uma obra de arte, de uma peça do patrimônio cultural ou natural, ou ainda de uma poesia.

O estímulo artístico é indispensável na formação de uma criança e de um adolescente e melhora consideravelmente a sua aprendizagem, além de abrir caminhos à sua imaginação e criatividade, Estas crianças serão os profissionais de amanhã. A arquitetura, a escola, os serviços não melhorarão com adultos mais sensíveis e mais atentos ao equilíbrio ecológico e aos valores patrimoniais?

Muitas exposições que organizamos precisam do "espólio", tantas vezes escondido, na casa das pessoas. Uma jarra, um candeeiro podem despertar numa pessoa determinadas lembranças e laços afetivos. Uma exposição representa uma época, uma cultura, uma moda e um estilo, Um monumento, uma estátua em uma praça ou jardim, um viaduto, um parque, etc. são também considerados monumentos do patrimônio. No Brasil temos cidades que fazem parte do patrimônio histórico, entre elas estão Salvador, na Bahia, e Ouro Preto, em Minas Gerais.

O meio patrimonial

A escola deve procurar estabelecer relações constantes com o meio, pois a formação integral do aluno não passa la simples instrução dos conteúdos acadêmicos, mas sim pela educação interdisciplinar, na qual desempenham um papel preponderante os valores essenciais a um crescimento harmonioso e talvez a hipótese de salvação do planeta e das pessoas que nele vivem. Esses valores resumem-se, quanto a nós, a cinco pontos fundamentais:


  1. Solidariedade, respeito e tolerância ao próximo.
  2. Conhecimento dos modos de vida, pensamento e história da região em que a escola está inserida.
  3. Desenvolvimento e apuramento crítico do gosto, tendo em conta as múltiplas opções estéticas que a sociedade oferece.
  4. Preservação, proteção da natureza e das espécies em extinção.
  5. Preservação. proteção e animação do patrimônio material e imaterial.
Pelourinho, Bahia, 2011.

Catedral Metropolitana de Brasília, 2012.

A observação do real, detalhada e meticulosa, é fundamental para se estudar o patrimônio histórico.

Aqui, o trabalho de campo é necessário e urgente. Os jovens não podem discutir certos temas se deles tiverem uma imagem distorcida, distante e puramente mediática, já que, nos tempos que correm, nem uma imagem livresca é vulgar.

A pesquisa e a observação são pertinentes em todo o contato com as populações, na tentativa de compreender e procurar soluções para os seus problemas.

Respeitar e valorizar o nosso patrimônio é nosso dever como cidadãos. Por menor que seja o nosso município, sempre vamos encontrar um lugar que seja significativo para as pessoas e para o local como registro histórico.

Congresso Nacional, Brasília, 2012.

Casario do centro histórico de São Luís, Maranhão, 2011.





segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Conhecendo Candido Portinari

"Sabem por que eu pinto tanto menino em gangorra e balanço? Para botá-los no ar, feito anjos."
Candido Portinari

Candido Portinari nasceu em 30 de dezembro de 1903, na cidade de Brodowski, interior de São Paulo, em uma fazenda de café, onde seus pais eram imigrantes. Frequentou a escola primária, mas sempre manifestou uma grande vocação para as artes, era sempre o escolhido para fazer os cartazes e as ilustrações de trabalhos dos colegas.

Com 9 anos trabalhou como ajudante na pintura da decoração de uma igreja em Brodowski. Ele pintou várias estrelas no céu da igreja.

Quando tinha 15 anos foi para a Escola nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro, em busca de um aprendizado de maior qualidade. E com 25 anos recebeu como prêmio uma viagem ao exterior, mais precisamente para Paris. Longe de casa, Candinho como era chamado pelos amigos, sentia muitas saudades do seu país natal e de sua família e então em 1931 decidiu voltar ao Brasil, trazendo uma grande bagagem de aprendizado.  Nesse retorno passa a retratar em suas telas o povo brasileiro, misturando em sua técnica o que aprendeu em Paris com sua personalidade e estilo.

Café, 1925. Óleo sobre tela, 130 cm x 195 cm. Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.

Em 1935 com a tela Café que retrata uma cena da tradicional colheita do café brasileiro, típica da região onde morava, ganha uma Menção Honrosa na Exposição Internacional do Instituto Carnegie de Pittsburgh, nos Estados unidos da América.

Os pés e as mãos grandes representam a força do trabalhador, na obra Café.

Candido Portinari pintou alguns murais e afrescos, entre os anos de 1936 e 1944. Esse tipo de trabalho passou a representar um marco na carreira artística de Portinari, pois a temática social que ele usava começou a ser o grande tema de suas obras daí em diante.

Como todo artista, andava na companhia de poetas e escritores e tinha grande participação na cultura do nosso país.

 Candido Portinari sempre esteve preocupado com a nossa cultura e isso ficou muito bem registrado em seus trabalhos. Podemos ver uma de suas grandes marcas na série "Os retirantes".

Série "Os retirantes". Criança morta, 1944. Óleo sobre tela, 179 cm x 190 cm. Masp, São Paulo.

Série "Os retirantes". Retirantes, 1944. Óleo sobre tela, 192 cm x 181 cm. Masp, São Paulo.

Série "Os retirantes". Enterro na rede, 1944. Óleo sobre tela, 180 cm x 220 cm. Masp, São Paulo.

Ressurreição de Lázaro, 1943. Painel a têmpera/tela, 150 cm x 300 cm. Masp, São Paulo.

Buscou muitas e novas maneiras de pintar temas diferentes que mostrassem, além da dura realidade, os sonhos e as brincadeiras de crianças.

Em 1941, ele pintou quatro grandes murais na Fundação Hispânica da Biblioteca do Congresso em Washington, onde o tema se referia à história latino-americana.

Inspirado na obra Guernica feita por Picasso, em 1943, pintou a série Bíblica com oito painéis, influenciado pelo momento da Segunda Guerra Mundial.

Em 1944, o arquiteto Oscar Niemeyer, convidou Candido Portinari a participar da decoração do conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Pintou também a série Meninos de Brodowski; foi candidato a deputado e a senador e, em 1946 foi a Paris realizar na Galeria Charpentier uma exposição sua, e foi homenageado pelo governo francês.

Meninos na Gangorra, 1960. Óleo sobre tela, 81 cm x 64 cm. Coleção particular, Rio de Janeiro.

Meninos brincando, tela pintada em 1955. Óleo sobre tela, 60 cm x 72,5 cm. Coleção particular, Rio de Janeiro.

Menino com pião, 1947. Óleo sobre tela, 65 cm x 54 cm. Museu Castro Maya, Rio de Janeiro.

Meninos empinando pipas, 1947. Óleo sobre tela, 64 cm x 70 cm. Coleção particular, São Paulo.

Em 1948, por motivos políticos, ficou um período no Uruguai onde pintou o painel Primeira Missa no Brasil, encomendado por um banco do Rio de Janeiro.

Candido Portinari ficou muito conhecido como muralista, e pelas obras de grande porte e teor político que fez, e que foi o único artista brasileiro a participar da exposição "50 Anos de Arte Moderna" em Bruxelas.

Durante sua trajetória fez muitas exposições internacionais e, no Brasil, teve uma grande carreira artística, sendo um dos grandes nomes da Arte Brasileira aqui e fora do país.

Portinari faleceu aos 59 anos, muito jovem para um grande artista, por intoxicação das tintas que utilizava.

Primeira Missa no Brasil, 1948. Têmpera sobre tela. Banco Boa Vista, Rio de Janeiro.


Conhecendo Aldemir Martins



Aldemir Martins caracterizou-se pela temática nordestina de suas obras. Acervo particular.

Aldemir Martins nasceu em Ingazeiras (Ceará), em 1922, e faleceu em São Paulo, em 2006.

Transferindo-se na adolescência para Fortaleza, ali deu começo, em princípios da década de 1940,à sua carreira artística, participando do movimento de renovação cultural desencadeado pela Sociedade Cearense de Artes Plásticas, que ajudou a fundar. Mudando-se em 1945 para o Rio de Janeiro, pouco se demorou nessa cidade, pois, em 1946, já se achava radicado em São Paulo, onde desde então transcorreu toda a sua carreira. Foi em São Paulo, em 1947, que obteve seu primeiro prêmio de significação: o terceiro lugar na mostra 19 Pintores, realizada na União Cultural Brasil-Estados Unidos e julgada por Segall, Malfatti e Di Cavalcanti (Grupo dos 19).

Oriundo de uma das regiões mais dramaticamente carentes do país, era compreensível que Aldemir evocasse, nos primeiros testemunhos de sua produção pictórica, temas e motivos pungentes, reveladores das condições subumanas em que viviam - e ainda vivem - tantos nordestinos. E embora muito jovem e inexperiente, sem dispor sequer dos recursos técnicos de que mais tarde se apossaria, é de se realçar a força dramática dos seus quadros da época, nos quais a miséria, a seca, a fome e a doença desempenham o papel principal; força dramática, de resto, que, a partir da década de 1950, cederia, gradativamente, vez a uma crescente estilização e a uma acentuada pesquisa formal, que os tornariam mais bem realizados, sem dúvida, mas menos expressivos.

Com o passar dos anos, Aldemir foi-se definindo cada vez mais como artista gráfico, em detrimento da pintura. E foi como gravador e desenhista que se impôs no panorama de nossas artes plásticas, ganhando prêmios de importância, como na Bienal de São Paulo, em 1955 (Melhor Desenhista), na Bienal de Veneza, em 1956 (Desenho) e, ainda ao estrangeiro do Salão Nacional de Arte Moderna de 1959, graças a ele passou dois anos na Itália.

A temática sofrida dos seus primeiros tempos em Fortaleza e São Paulo foi pouco a pouco substituída por assuntos menos agressivos, de bichos (em especial gatos), aves (sobretudo galos), flores, frutos, cangaceiros e mulheres rendeiras, tratados não mais expressionisticamente, mas de modo mais adocicado. E foram esses assuntos, divulgados por todo o país até como padrões decorativos de louças e tecidos, que terminaram por transformar Aldemir num dos artistas plásticos mais populares do Brasil.

Nos últimos tempos, Aldemir praticou com assiduidade crescente a pintura, sem, contudo, abandonar o desenho, em que melhor se realizou.

A temática de sua pintura é a mesma dos desenhos e das gravuras, apenas acrescida de certas paisagens marinhas nos últimos anos em longas temporadas passadas no Ceará. Mas era natural que um artista todo voltado para a linearidade não encontrasse na pintura seu meio expressivo favorito, e assim, o que realiza nesse gênero pouco acrescenta ao que logrou externar enquanto gravador, e principalmente enquanto desenhista.

Os trabalhos de Aldemir são inconfundíveis por seus traços fortes e cores vibrantes. É um artista que retrata o Brasil, sua natureza e seu povo.

Aldemir trabalhou por toda sua vida, sendo conhecido mundialmente, levando a arte brasileira a outros países. Faleceu em 5 de fevereiro de 2006, aos 83 anos, no Hospital São Luís, em São Paulo.

Todas as obras citadas encontram-se na Casa das Artes Galeria. Rua Bahia, 871 Higienópolis, São Paulo.

 Aldemir Martins. Gato marrom. Técnica mista, 50 cm x 70 cm.

 Aldemir Martins. Gato azul, 2003. Acrílico sobre tela, 54 cm x 73 cm.

Aldemir Martins. Gato rajado. Acrílico sobre tela, 97 cm x 130 cm.

Aldemir Martins. Marinha. Técnica mista, 38 cm x 45 cm.

Aldemir Martins. Cangaceiro. 70 cm x 50 cm.


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O artesanato no Brasil






Artesanato é o processo produtivo medieval que foi substituído, com a Revolução Industrial, pela produção mecanizada em massa, a qual, entretanto, não lhe tira o valor artístico.

O trabalho manual no qual o artesão usa suas próprias mãos e ferramentas, auxiliado, às vezes, por outras pessoas (aprendizes), é uma obra artística.

Os tempos evoluíram, mas até hoje muitas pessoas se dedicam ao artesanato, ou seja, ao fabrico domiciliar, sendo raro o uso de máquinas para montar os produtos.

Atualmente, a máquina, a produção em série, tem transformado o sistema artesanal em semi-industrial. Contudo, os artesãos são o exemplo de uma arte popular, na maioria das vezes são anônimos e expressam a arte com materiais diversos. Assim, uma família inteira pode usufruir do artesanato como forma de sustento. Podemos trabalhar o artesanato com barro, gesso, madeira, fibras, plásticos. Alguns artesãos no Brasil se especializaram em fazer santos, são os chamados santeiros. Entre eles podemos citar o mestre Dezinho de Valença, no Rio de Janeiro. A presença do negro estimulou a criação de imagens de deuses africanos. Um dos nomes de destaque no artesanato brasileiro é o mestre Vitalino, cujo nome completo é Vitalino Pereira dos Santos.

Hoje em dia, o artesanato brasileiro é também muito valorizado no exterior, muitas pessoas produzem obras para serem exportadas e os consumidores dão muito valor a esses trabalhos.

Podemos fazer artesanato com muitos materiais diferentes, como tecido, madeira, barro, massa plástica, linhas e lãs, enfim, cada um acha um jeito diferente para criar suas obras, cada região do país procura se adaptar à matéria-prima que tem mais facilidade de uso e de custo.





Bonecos de mamulengo do Nordeste brasileiro. 







Artesanato feito no Recife.





Cerâmica marajoara, Norte do Brasil.

Artesanato brasileiro - fazendo arte com papel

A técnica do papel picado é simples e o papel pode até ser substituído por tecido. Faça um desenho como base para a colagem. Recorte o papel, separando as cores que você pretende usar. Elas devem formar uma harmonia, proporcionando um resultado final atraente e esteticamente agradável.

Esta técnica é uma forma de artesanato e pode ser aplicada em diversos materiais, como papel, madeira, gesso, papelão, entre outros. Se você quiser, pode tentar fazer uma peça de madeira, como um porta-retratos, para seu quarto. Você pode escolher cores que combinem com seu ambiente.

Existem muitos artistas que usam o mosaico de papel picado como forma de expressão plástica. Veja alguns exemplos:

ATIVIDADE Faça um desenho e cubra toda a superfície com papel picado, diluindo a cola branca em um pouco de água. Complete o se desenho com as cores escolhidas .Depois de pronto, passe uma camada de cola branca como se fosse um verniz. Você pode fazer uma paisagem, um vaso, um peixe, enfim, use sua imaginação. No final, seu trabalho poderá ser socializado e se transformar em uma obra única.

MATERIAL Papéis diversos, revistas, tesoura sem ponta, cola branca, água e pincel.






quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Folclore no Brasil e no mundo



Podemos dizer, em linguagem simples, que folclore significa estudo do povo nas suas manifestações originais e naturais. Fazem parte do folclore a música, a dança, usos e costumes, expressões de linguagem, contos, lendas, histórias, mitos, provérbios, arte popular, crenças e superstições.

Não é possível identificar nos elementos do folclore seus autores ou suas origens, refletindo-se neles toda a poesia, a ingenuidade, a pureza e a sabedoria do povo.

A palavra folclore é de origem anglo-germânica. Surgiu com o antiquário inglês chamado William John Thoms, em carta dirigida à revista londrina The Atheneum, que a publicou em 22 de agosto de 1846. Diz Thoms esta frase, que depois se tornaria famosa:

"O folclore é mais um saber tradicional que uma literatura, e que se poderia escrever mais propriamente com uma boa palavra anglo-saxônica, folk-lore - o saber do povo".

Nascia aí o neologismo que correria o mundo é daria nome a uma nova ciência, que se organizaria apenas 32 anos depois, ao ser fundada em Londres a Folk-lore Society, em 1878. Dela faria parte, já bastante idoso, William John Thoms.

O radical "folk" provém remotamente do sânscrito (escrituras sagradas antigas), passando pelo grego e pelo latim, até chegar ao inglês e ao alemão. Assim, volgos, vulgus, folk e volk significam, genericamente, povo. "Lore" quer dizer conhecimento, saber, sabedoria. A palavra folclore, portanto, expressa aquilo que o povo sabe, conhece. Atualmente, devemos acrescentar mas poucas palavras para melhor conceituá-lo: o folclore estuda o que o povo sabe sem ter aprendido nas escolas, nos colégios, nas universidades; tudo aquilo que foi transmitido, tradicionalmente, de geração para geração.

Vamos conhecer um pouco mais sobre as temáticas folclóricas brasileiras?

Danças folclóricas de alguns estados brasileiros:
  • Piauí: xerém, coco, baião.
  • Ceará: baião, milindô.
  • Rio Grande do Norte: bambelô e serrote.
  • Paraíba: coco, ciranda, choradinho.
  • Pernambuco: passo (frevo), xaxado, coco, ciranda.
  • Alagoas: coco, xenhenhém.
  • Bahia: samba de roda, lundu.
  • Rio Grande do Sul: prenda, chula (dança desafio), pezinho.
  • Santa Catarina: dança de fitas.
  • São Paulo: fandango, samba de lenço (Tietê).
  • Espírito Santo: dança de velhos, valsinhas e marchinhas.
  • Rio de Janeiro: jongo.
Pessoas dançam o jongo, Rio de Janeiro, 2012. Ricardo Moraes/Reuters/Latinstock.

Lendas

Lendas são narrativas populares, cujas personagens são designadas claramente, dando-se, por vezes, até a sua filiação, e cuja ação se passa em lugar preciso, de que é feita descrição minuciosa. As lendas remontam a Idade Média, mas, no Brasil, foi Couto de Magalhães quem nos legou um precioso livro, O Selvagem, com lendas indígenas brasileiras de incomparável beleza. 

Vamos conhecer uma lenda?

A LENDA DA ERVA-MATE

Contam que certa vez uma das tribos guaranis acampou, por algum tempo, nas encostas de serranias de onde deslizava manso regato.

Um índio muito velho não pôde, porém, seguir o rastro dos guerreiros de seu sangue. Ficou no coração da mata, em companhia da formosa Yarii, sua jovem filha.

Uma tarde de sol, à última hora do dia, chegou à cabana do velho índio um homem estranho, de epiderme escura e com roupas que eram desconhecidas ali.

O velho cacique foi pródigo na hospitalidade que ofereceu ao peregrino. Deu ao estranho carne das caças mais finas e o mel mais saboroso de operosas abelhas.

Recebendo tão generosa acolhida, o hóspede, que era um enviado de Tupã, deus do bem, quis recompensar a bondade de seu hospedeiro. E perguntou-lhe o que mais desejaria para ter dias calmos e o coração sereno.

O cacique pensou, olhou o céu e disse:

- Se fosse possível, queria alguma coisa que me acompanhasse sempre, animando-me a memória e confortando-me o coração. Embora amarga ao paladar, pudesse essa coisa dar-me noites agradáveis em sono e madrugadas belas ao despertar.

Como resposta, a misteriosa personagem plantou, à vista do cacique, uma haste verde na terra. E disse-lhes:

- Bebe destas folhas e terás o desejado.

E voltando-se para Yarii, acrescentou:

- Confio-te a proteção desta árvore. É a vontade de Tupã.

E. desde então, Yarii se tornou a deusa protetora da erva, a Caá-Yarii, e o velho índio, o Caá-Yara, o protetor dos ervais.

Foto integrante da exposição Ka' a - a erva sagrada, que retrata a importância da erva-mate para populações indígenas da região Sul do Brasil, entre as décadas de 1950 e 1980.

Folguedos:

  • Boi de mamão;
  • Cavalhada;
  • Carreira de cavalos;
  • Cordão de bichos;
  • Maracatu;
  • Pastoril;
  • Reisado;
  • Tourada.


Bumba-meu-boi anima moradores do bairro Madre Deus, em São Luís, Maranhão, 2008. Rogério Reis/Pulsar Imagens.


Provérbios

Os provérbios são outra fonte viva do nosso folclore, caracterizando-se como sentença ou máxima que o uso popular consagrou. Vamos conhecer alguns:

  • Com a medida que medires será medido.
  • Certa gente é melhor ter por amigo do que por inimigo.
  • Mais vale um pássaro na mão do que dois voando.
  • Em terra de cego quem tem um olho é rei.
  • Quem vê cara, não vê coração.
Frases populares

Complementam os provérbios as frases populares, que são maneiras de dizer algo de modo conciso, preciso e pitoresco. Veja este rol de frases:

  • Pão, pão, queijo, queijo.
  • Dar com a língua nos dentes.
  • Não ter papas na língua.
  • Comer o pão que o diabo amassou.
Medicina popular

No Brasil, há uma larga prática de benzeduras, ervas, rezas e curiosas superstições. 

São exemplos os chás usados para a cura de doenças. Por exemplo, pariparoba é bom para o fígado; cidreira é calmante; erva-doce é para estômago e intestino; camomila é para resfriado.

Superstições

São crendices que alguns tomam como verdade.

É costume em algumas regiões do país dizer, por exemplo, que não se deve: derramar tinta; cuspir na água; varrer a casa à noite; quebrar espelho; tropeçar na soleira da casa; jogar pão fora; etc.

São considerados objetos que trazem bons ou maus agouros: corujas; pedras; beija-flores; borboletas; amuletos; etc.

Crendices

Chuchu enterrado de manhã bem cedo faz cair verrugas.
Espelho quebrado atirar-se ao mar.

Adivinhações

O que é, o que é?
Tem cabeça, mas não tem cabelo.
Tem barba, mas não tem queixo.
Tem dentes, mas não morde.
Resposta: alho.

Artesanato

O artesanato folclórico é muito variado; por exemplo, trabalho em crochê, rendas, objetos de palha, de cerâmica, de barro, madeira, etc.



Centro histórico de São Luís, Maranhão, 2011. Ale Ruaro/Pulsar Imagens.

Cantigas de roda

Fazem parte do folclore brasileiro cantigas de roda como Ciranda cirandinha, Senhora dona Sancha, O cravo brigou com a rosa, etc.

A música folclórica nasceu do povo, e este a utiliza porque a ele se destina. Ela participa do sentir de cada indivíduo na coletividade. É muito observada em desafios, emboladas, cantigas de ninar, cantigas de trabalho, cantigas de roda, modinhas, danças, jogos e até em alguns rituais religiosos. Muitos são os instrumentos que acompanham essas músicas e danças.

Aqui estão algumas das canções folclóricas nacionais. Se você não souber cantar estas musiquinhas, peça ajuda ao seu pai, à sua mãe, aos tios ou aos professores - são músicas bem conhecidas e podem ser aprendidas facilmente:

Nesta rua

Se essa rua se essa rua fosse minha
Eu mandava, eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas, com pedrinhas de brilhante
Para o meu, para o meu amor passar
Nessa rua, nessa rua, tem um bosque
Que se chama, que se chama, Solidão
Dentro dele, dentro dele mora um anjo
Que roubou, que roubou meu coração
Se eu roubei, se eu roubei seu coração
Tu roubaste , tu roubaste o meu também
Se eu roubei, se eu roubei teu coração
É porque , é porque te quero bem
Crianças brincam de roda, São Paulo, 2011. Laureni Fochetto.

 Festas

Entre as festas que fazem parte do folclores brasileiro, destaca-se as juninas. Essas festividades ocorrem sempre no inverno, em praticamente todo o Brasil, sendo dedicadas a Santo Antônio, São João e São Pedro. Caracterizam-se pelas fogueiras, comidas típicas, músicas e danças regionais.

Grupo dança quadrilha no tradicional Arraial do Zé Bagunça, Bueno Brandão, Minas Gerais, 2011. João Prudente/Pulsar Imagens.

Folclore - ilustração de lenda

ATIVIDADE Após a leitura da lenda do boto, que serve apenas como indicativo de muitas outras lendas folclóricas, faça um desenho que ilustre a lenda.

MATERIAL Lápis grafite, borracha, lápis de cor.

A lenda do boto cor-de-rosa - várias versões

A LENDA DO BOTO COR DE ROSA


A lenda do "boto cor de rosa" é mais uma crença que o povo ribeirinho da Amazônia costumava contar que, quando uma moça encontrava um novo namorado nas festas de junho deveria tomar muito cuidado. É tradição junina do povo da Amazônia. Nessas noites se fazem fogueiras enquanto se desfruta de comidas típicas e se dança ao som alegres instrumentos e cantorias. 


Conta-se que em estas noites, quando as pessoas estão distraídas celebrando, o boto rosa aparece transformado em um bonito e elegante rapaz, mas sempre usando um chapéu, porque sua transformação nao é completa; suas narinas se encontram no topo de sua cabeça fazendo um buraco. 


Como um cavalheiro, ele conquista e encanta a primeira jovem bonita que ele encontra e a leva para o fundo do rio, engravidando-a e nunca mais voltando para vê-la. 


Até os dias de hoje, durante estas festividades, quando um homem aparece usando um chapéu, as pessoas pedem para que ele o retire para que não pensem que ele é um boto. E quando uma jovem engravida e não se sabe quem é o pai, é comum dizerem ser "do boto".

Lenda do Boto

De acordo com a lenda, um boto cor-de-rosa sai dos rios nas primeiras horas das noites de festa e com um poder especial, transforma-se em um lindo jovem vestido com roupas brancas. Ele usa um chapéu branco para encobrir o rosto e disfarçar o nariz grande. Nas festas, com seu jeito galanteador e falante, o boto dança, bebe, se comporta como um rapaz normal e  aproxima-se das jovens solteiras, seduzindo-as. Logo após, consegue convencer as mulheres para um passeio no fundo do rio, local onde costuma engravidá-las. Na manhã seguinte volta a se transformar no boto, pois o seu encantamento só acontece à noite. 
Lenda do Boto 
Origem da lenda do Boto, personagem do folclore brasileiro, folclore amazônico, cultura popular, bibliografia indicada
lenda do boto cor-de-rosa Boto cor-de-rosa: uma lenda da época da escravidão

Introdução 
A lenda do boto tem sua origem na região amazônica (Norte do Brasil). Ainda hoje é muito popular na região e faz parte do folclore amazônico e brasileiro.

O que diz a lenda 
De acordo com a lenda, um boto cor-de-rosa sai dos rios amazônicos nas noites de festa junina. Com um poder especial, consegue se transformar num lindo, alto e forte jovem vestido com roupa social branca. Ele usa um chapéu branco para encobrir o rosto e disfarçar o nariz grande. Vai a festas e bailes noturnos em busca de jovens mulheres bonitas. Com seu jeito galanteador e falante, o boto aproxima-se das jovens desacompanhadas, seduzindo-as. Logo após, consegue convencer as mulheres para um passeio no fundo do rio, local onde costuma engravidá-las. Na manhã seguinte volta a se transformar no boto. 
O boto cor-de-rosa é considerado amigo dos pescadores da região amazônica. De acordo com a lenda, ele ajuda os pescadores durante a pesca, além de conduzir em segurança as canoas durante tempestades. O boto também ajuda a salvar pessoas que estão se afogando, tirando-as do rio.

Cultura popular:

- Na cultura popular, a lenda do boto era usada para justificar a ocorrência de uma gravidez fora do casamento.

- Ainda nos dias atuais, principalmente na região amazônica, costuma-se dizer que uma criança é filha do boto, quando não se sabe quem é o pai.

No cinema

- A lenda do boto foi transformada num filme em 1987. Com o título de Ele, o boto, o filme tem no elenco Carlos Alberto Riccelli, Cássia Kiss e Ney Latorraca. A direção é de Walter Lima Junior.

Algumas imagens do boto: